O pré-candidato a deputado federal Doutor Jhony Bezerra atravessa um dos momentos mais delicados de sua trajetória política. Aliado histórico do governo estadual, Jhony vê sua relação com o governador João Azevêdo estremecer após a exoneração de todos os cargos ligados ao seu grupo no Governo do Estado, um gesto que gerou indignação e abriu espaço para reflexões profundas sobre o rumo de sua caminhada eleitoral.
O episódio marcou um ponto de inflexão. Próximo de deixar a base governista, Jhony se aproxima da oposição, alimentando especulações sobre uma possível mudança de campo político. A movimentação, impulsionada diante do desgaste pessoal e político, levanta, contudo, uma questão central: romper agora é, de fato, a melhor estratégia?
Historicamente, Doutor Jhony construiu sua trajetória dentro da base governista. Foi nesse campo que disputou a Prefeitura de Campina Grande, nas últimas eleições, obtendo uma votação expressiva e consolidando seu nome como uma liderança competitiva no maior colégio eleitoral do interior paraibano, tudo isso com o apoio do governo do Estado. Esses resultados não podem ser ignorados no cálculo político que antecede uma disputa proporcional tão dura quanto a de deputado federal.
Além disso, o cenário político da Paraíba está prestes a mudar. A partir de abril, o Estado passará a ter um novo governador: Lucas Ribeiro, que assumirá o comando do Executivo e será o candidato à reeleição. A mudança no eixo do poder abre uma janela de oportunidade para recomposição, diálogo e reposicionamento dentro da própria base governista.
Nesse contexto, uma reaproximação com Lucas Ribeiro pode representar não apenas um gesto de maturidade política, mas uma estratégia pragmática. Permanecer na base, ainda que após um período de turbulência, tende a oferecer mais segurança eleitoral, capilaridade política e estrutura para uma campanha competitiva à Câmara Federal.
A ida para a oposição, por outro lado, apresenta riscos consideráveis. Além das dificuldades naturais de adaptação e da disputa por espaço em um campo já congestionado, não há garantias de que Jhony encontrará o mesmo ambiente favorável que lhe permitiu crescer e se viabilizar eleitoralmente nos últimos pleitos.
Em política, decisões tomadas no calor do momento costumam cobrar um preço alto no futuro. Para Doutor Jhony Bezerra, o caminho da prudência, com diálogo, reconstrução de pontes e leitura estratégica do novo cenário estadual, me parece, hoje, o mais consistente para quem deseja transformar capital político em mandato federal.














