Por Nice Almeida
Foi com esse tema que minha amiga Juliana Nogueira e eu encerramos o mês de março no Centro Espírita O Consolador, no Ernesto Geisel, em João Pessoa, neste domingo, dia 29. Foi também a culminância da campanha ‘Violência não é Carma’ abordada por essa instituição que me acolhe e me faz ser feliz.
Mas…
Não é só sobre uma palestra, ou sobre uma campanha. É sobre uma trava que saiu da minha garganta e que nunca mais será recolocada, porque eu não vou permitir.
O Consolador ergueu sua voz em defesa das mulheres vítimas de violência e permitiu que eu erguesse a minha também. Eu, que tenho tatuado na alma as marcas dessa tragédia social, mas que decido ressignificar minha dor e ousar ser amor.
Depois da experiência desse mês intenso e produtivo, essa voz nunca mais será abafada. E se um dia ela for abafada por alguma condição física, pois somente isso poderá me calar, eu escreverei e transformarei a fonética em alfabeto constante que nenhuma borracha jamais poderá apagar.
E nem é apenas sobre mim e para mim. É para todas as mulheres sobreviventes e as que ainda não conseguiram se libertar.
É, especialmente, para meus filhos e minhas filhas. Do útero somente um, da alma, vários.
É para que meu Lucas, agora com 24 anos, saiba como um homem de verdade deve tratar uma mulher. Pelo seu comportamento, estou certa que ele aprendeu, e muito bem.
Ainda para meus filhos da alma, Marquinhos, Felipe, Miguel e agora nosso tão amado Henry, que não completou ainda três meses de nascido.
Que eles saibam que, assim como eu os amo e respeito, eles também amem e respeitem todas as mulheres, e jamais, nunca mesmo, se tornem agressores, nem autores de violências físicas e nem daquelas invisíveis aos olhos.
Sobretudo é para as minhas filhas da alma: Gyovanna, Rute e Maria!
Eu quero, e vou ensinar a vocês, o que é a violência contra as mulheres para que vocês, meus amores, consigam indentificá-la logo ao primeiro sinal. No seu nascedouro.
E aqui deixo Juliana, que é psicóloga, falar:
“O mecanismo costuma começar no detalhe quase invisível. Na desqualificação constante. Nas famosas críticas disfarçadas de opinião, mas que são venenosas. No controle e no ciúme disfarçados de cuidado e amor. No afastamento da mulher de amigos e da família”.
E ela continua:
Frases bem conhecidas como: ” Fulana não serve para ser sua amiga, ou essas amizades não são boas para você”. ” Troca isso que não combina com você”. “Você fica de simpatia demais, se abrindo muito”. “Você é dramática demais”. “Você está ficando doida?”.
Se começar assim meus amores, saiam da relação, ela não serve pra vocês. E se tiverem alguma dúvida, procurem essa tia tão experiente no tema, por já ter vivenciado cada uma das fases da violência contra a mulher, desde a mais sutil até a mais grave.
Mas, eu venci, estou viva!
Ah, se eu pudesse fazer vocês sentirem a minha felicidade e gratidão por poder erguer minha voz em favor das mulheres vítimas da violência!
Esse mês, essa campanha, essas palestras foram um grande desafio diante da minha história. Meu corpo ainda reage, mas a dor não me domina mais!
Eu estou exatamente onde deveria estar!
Obrigada Ana Maria Soares, dirigente de O Consolador. Sem sua expressiva consciência sobre a importância e necessidade de tratar de temas assim dentro de um centro espírita eu jamais teria vivido isso.
Obrigada a todas as mulheres de O Consolador, vocês são luz em meu caminho!
Obrigada a todos os homens de O Consolador, em nome do nosso dirigente Josenildo (Chico), vocês me ajudam a reaprender a me relacionar com a figura masculina, porque com vocês eu sempre encontro respeito!














