A herança de Cícero - André Gomes
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A herança de Cícero

Ao assumir a Prefeitura de João Pessoa, o prefeito Leo Bezerra recebeu mais do que a responsabilidade de administrar a terceira capital mais antiga do Brasil. Herdou também uma crise que se espalha por toda a cidade: o caos na coleta de lixo. Sacos acumulados por dias, mau cheiro, sujeira e revolta popular passaram a fazer parte da rotina em diversos pontos da capital paraibana, revelando um cenário de abandono que se agravou nos últimos meses da gestão do então prefeito Cícero Lucena, do MDB.

A situação chegou a um nível tão crítico que o Ministério Público da Paraíba precisou entrar em cena para cobrar providências e tentar garantir a regularidade da coleta na cidade. Um retrato preocupante de uma administração que, para muitos, já dava sinais claros de desgaste e falta de comando.

Logo nos primeiros dias à frente da Prefeitura, Leo Bezerra reuniu secretários, cobrou respostas e exigiu soluções emergenciais para enfrentar o problema do lixo. Mas encontrou uma máquina pública aparentemente desorganizada, com uma estrutura incapaz de responder rapidamente à crise. O resultado foi a continuidade do caos urbano, enquanto a população segue convivendo com montanhas de resíduos espalhadas pela cidade.

Nos bairros, o sentimento predominante é de abandono. Em várias regiões de João Pessoa, moradores denunciam, diariamente, lixo acumulado por dias inteiros, atraindo insetos, animais e aumentando os riscos à saúde pública. O cenário afeta diretamente a imagem da cidade, que vive um boom no turismo, e escancara a fragilidade administrativa deixada pela gestão de Cícero Lucena.

A impressão que ficou para parte da população é de que Cícero, já mirando uma possível candidatura ao Governo da Paraíba, teria deixado a capital em segundo plano. Nos bastidores políticos e nas ruas, cresce a percepção de que João Pessoa entrou em ritmo de desaceleração administrativa justamente quando mais precisava de atenção.

Leo Bezerra, nesse contexto, aparece como um gestor tentando apagar incêndios herdados. Mas a sensação é de que governa com as mãos atadas diante de problemas estruturais acumulados ao longo dos últimos meses da antiga administração. A crise do lixo tornou-se símbolo de uma herança pesada, e talvez uma das mais visíveis deixadas por Cícero.

Enquanto o novo prefeito tenta reorganizar a cidade, a população segue aguardando aquilo que deveria ser básico: ruas limpas, coleta eficiente e uma administração capaz de devolver dignidade urbana à capital paraibana.

 

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