O debate sobre mobilidade urbana voltou ao centro das discussões políticas da Paraíba após as declarações do ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo do Estado, Cícero Lucena, acerca da “Ponte do Futuro”, obra do Governo da Paraíba que pretende ligar Cabedelo e João Pessoa a Santa Rita e Lucena.
Ao comentar o projeto, Cícero afirmou: “São R$ 400 milhões para um projeto que pode ser adiado. Essa ponte não vai levar água para ninguém. Não vai trazer nada mais útil a não ser trazer mais trânsito. Governar é escolher prioridades, e não existe prioridade maior do que a vida das pessoas.”
A declaração chama atenção não apenas pelo tom político, mas principalmente pela visão que demonstra sobre mobilidade urbana e desenvolvimento da Região Metropolitana de João Pessoa.
Nos últimos anos, João Pessoa passou por um crescimento acelerado. A cidade recebeu novos moradores, novos empreendimentos, expansão imobiliária e aumento significativo da frota de veículos. O resultado disso é sentido diariamente pela população: congestionamentos maiores, lentidão nos principais corredores e dificuldade crescente de deslocamento.
Diante dessa realidade, o que se espera de gestores públicos é planejamento e visão de futuro. Grandes cidades precisam pensar alternativas antes que o problema se torne irreversível. Mobilidade não se resolve apenas com ações pontuais ou intervenções superficiais; exige integração regional, novas rotas, ampliação de acessos e investimentos estruturantes.
É justamente nesse ponto que a fala de Cícero provoca questionamentos.
Ao minimizar a importância da Ponte do Futuro, o ex-prefeito acaba revelando muito do que foi, ou deixou de ser, feito em João Pessoa nos últimos anos em relação ao trânsito da Capital: praticamente nada capaz de transformar de maneira efetiva a mobilidade urbana.
A Ponte do Futuro não é apenas uma obra de concreto. Ela representa a criação de um novo eixo de circulação, capaz de desafogar vias já saturadas, estimular o desenvolvimento regional e integrar cidades estratégicas da Grande João Pessoa. Projetos dessa magnitude não devem ser analisados apenas pelo impacto imediato, mas pela capacidade de antecipar problemas que inevitavelmente surgem com o crescimento urbano.
A crítica também revela uma visão limitada sobre a integração metropolitana. A mobilidade da Grande João Pessoa não afeta apenas a Capital. Ela impacta Cabedelo, Santa Rita, Bayeux, Lucena e toda a dinâmica econômica da Paraíba. Melhorar acessos significa fortalecer o turismo, facilitar o transporte de mercadorias, reduzir tempo de deslocamento e preparar a região para o futuro.
Na tentativa de agradar setores do Sertão ao tratar a obra como algo secundário diante de outras demandas do Estado, Cícero talvez tenha falado sem refletir sobre o peso estratégico da mobilidade urbana. Ou, pior, talvez realmente pense dessa forma quando o assunto envolve planejamento de trânsito e infraestrutura.
Governar é, de fato, escolher prioridades. Mas também é ter capacidade de enxergar o futuro antes que os problemas se agravem. E hoje, uma das maiores necessidades de João Pessoa e da Grande João Pessoa é justamente discutir mobilidade com seriedade, planejamento e visão de longo prazo.















