As declarações do empresário Deda Claudino, feitas recentemente em um programa de rádio, provocaram indignação não apenas em Guarabira, mas em todo o estado da Paraíba. O teor das falas, direcionadas à prefeita Léa Toscano e à memória do ex-prefeito e ex-deputado estadual Zenóbio Toscano, ultrapassa qualquer limite do debate político civilizado e revela um preocupante retrocesso no discurso público.
Em um momento histórico em que se exige mais responsabilidade, respeito e maturidade de figuras públicas, sobretudo daquelas que aspiram a cargos eletivos —, é inaceitável que um pré-candidato a deputado federal recorra a ataques de cunho pessoal, carregados de preconceito, misoginia e etarismo. A politiização do debate não pode, sob hipótese alguma, ser confundida com agressões que desrespeitam a dignidade humana.
O etarismo, vale lembrar, não é apenas moralmente condenável: trata-se de uma prática discriminatória que já é reconhecida como crime. Atacar alguém por sua idade revela não apenas ignorância, mas também despreparo para o exercício da vida pública. Da mesma forma, manifestações misóginas reforçam estruturas de desigualdade que a sociedade contemporânea busca, com esforço, superar.
É ainda mais grave que tais declarações tenham como alvo uma mulher que ocupa legitimamente um cargo público e a memória de um político que construiu sua trajetória com reconhecimento popular. O respeito às mulheres, em especial àquelas que enfrentam o desafio de atuar na política, não é uma opção. É uma obrigação básica de qualquer cidadão, e ainda mais de quem deseja representar o povo.
Política se faz com ideias, propostas e diálogo. Divergências são naturais e até necessárias em um ambiente democrático, mas devem ocorrer no campo das ideias, da gestão e dos projetos para a sociedade. Quando um agente público ou aspirante a tal recorre a ataques pessoais, ele não apenas empobrece o debate, mas também se desqualifica perante a população.
A repercussão negativa das falas de Deda Claudino demonstra que a sociedade paraibana não tolera mais esse tipo de atitude. A revolta é legítima e revela um amadurecimento coletivo de que não há mais espaço para discursos preconceituosos, machistas e desrespeitosos.
Se deseja, de fato, ingressar no cenário político, o empresário precisa compreender que o primeiro passo é o respeito às pessoas, às instituições e à própria democracia. Fora disso, o que se vê não é política, mas um espetáculo pobre e lamentável.
















