Mais da metade das queimaduras ocorre em menores de 5 anos; especialista orienta como prevenir ocorrências - André Gomes
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Mais da metade das queimaduras ocorre em menores de 5 anos; especialista orienta como prevenir ocorrências

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), divulgado neste mês de junho – período em que é realizada a campanha Junho Laranja, dedicada à conscientização sobre a prevenção de queimaduras –, mostrou que 53,8% dos acidentes que resultam em queimaduras ocorrem com crianças menores de 5 anos. A faixa etária de 5 a 9 anos corresponde a 20% dos casos. Na sequência, aparecem os pacientes de 10 a 14 anos (13%) e de 15 a 19 anos (12%).

Marcado pelas festas juninas e, neste ano, também pela Copa do Mundo, o mês de junho costuma registrar um aumento nos atendimentos por queimaduras. De acordo com o dermatologista Marcelo Picone, da Hapvida, esse crescimento está diretamente relacionado às comemorações típicas do período.

“As queimaduras mais comuns nessa época são as térmicas, causadas por fogos de artifício, fogueiras, contato com líquidos quentes e brasas. Observamos um aumento dos casos em junho e julho, principalmente envolvendo crianças, adolescentes e adultos que manuseiam fogos de forma inadequada”, relata o médico.

Segundo o especialista, a maior parte dos casos envolve queimaduras de primeiro e segundo graus, caracterizadas por vermelhidão, dor e formação de bolhas. Entretanto, também são registrados casos mais graves, de terceiro grau, que podem provocar destruição profunda da pele, amputações, lesões oculares, traumas auditivos e infecções.

Cuidados – Entre os cuidados necessários ao manusear fogos de artifício, citados pelo médico, estão a compra apenas em estabelecimentos autorizados, a leitura das instruções do fabricante e o acionamento dos artefatos em locais abertos, longe de pessoas, residências, árvores e redes elétricas.

Além disso, crianças não devem manusear fogos sem a supervisão de um adulto responsável. O consumo de bebidas alcoólicas durante a utilização desses artefatos também deve ser evitado.

O dermatologista também destaca que a escolha das roupas pode fazer diferença na prevenção de acidentes. Tecidos sintéticos, como poliéster e nylon, tendem a derreter quando expostos ao calor, aderindo à pele e agravando as lesões.

“A recomendação é optar por roupas de algodão, que oferecem maior resistência ao fogo. Também é importante evitar peças muito largas, com franjas ou mangas compridas, que possam entrar em contato com chamas ou fogos de artifício”, orienta.

Tratamento – Em caso de queimadura, agir rapidamente e prestar os primeiros socorros ajuda a reduzir os danos. De acordo com Marcelo, a recomendação é afastar a vítima da fonte de calor e resfriar a área atingida com água corrente em temperatura ambiente por um período de 10 a 20 minutos.

“Esse procedimento ajuda a interromper o processo de queimadura e reduz a profundidade da lesão. Depois, a área deve ser protegida com um pano limpo ou material não aderente até a avaliação médica. Não se deve aplicar gelo, manteiga, pasta de dente, borra de café, óleo ou qualquer outro produto caseiro sobre a queimadura. Também não é recomendado furar bolhas ou retirar tecidos que tenham ficado aderidos à pele”, enfatiza o dermatologista.

Ele ressalta que queimaduras leves, superficiais e de pequena extensão podem ser tratadas em casa, com higiene adequada e acompanhamento da evolução da lesão. No entanto, em casos de bolhas extensas, áreas esbranquiçadas ou carbonizadas, lesões maiores que a palma da mão, queimaduras no rosto, olhos, mãos, pés, pescoço, articulações ou região genital, além de ocorrências envolvendo crianças e pessoas idosas, o indicado é buscar atendimento médico imediato.

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