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Mulheres fascinantes

Por Nice Almeida

Era uma tarde de domingo chuvosa o dia da implosão da casa mental daquela mulher. Todas as mentiras haviam sido descobertas e sua sorte agora estava sob o poder de mãos tiranas e ardentemente violentas.

Durante anos vinha lutando contra a insane desventura do desamor e da sórdida traição. Dores, lamentos e culpas não foram suficientes para retirá-la do abismo da busca tresloucada por obsessivo desertor.

Os gritos a despertara para a nova realidade. Impossível se fez a negação, as provas eram contundentes e indiscutíveis. Um novo sentimento habitaria a partir dali em suas entranhas amarfanhadas. O medo. Maior ainda, o pânico.

A neurociência talvez pudesse responder a paralisia nos pensamentos. Seu lado obscuro novamente havia se sobreposto à luz tão insistentemente buscada no interior da alma.

O coração explodia em ansiedade. Não sabia como seria a partir dali. Uma tragédia, talvez. Como evitar?

Diferente das outras ocasiões em que escorregou em tortuoso lamaçal, lembrou-se de buscar àquele a quem já conhecera, mesmo sem seguir os exemplos de pureza: Jesus.

Chorou aos seus pés! Rogou misericórdia, por ela e por eles. Prometeu a si mesmo abandonar a procura pela alma afim. Era hora de libertar-se e libertá-lo também.

Enxergou, verdadeiramente, a figura humilde e mansa do Cristo. Ele não a julgou, pediu-lhe apenas para não mais pecar, como fizera com tantas outras que lhe cruzaram o caminho. Abençoou-a com um terno abraço. Lembrou-a da voz sempre a estimular suas novas escolhas:

“Você nunca estará sozinha!”.

O pânico desapareceu. Não se fez refém. Decidiu andar em direção à luz, mesmo ainda havendo sombras. É agora amiga de Jesus e tantos seres iluminados, trabalhadores do Cristo.

Nova mulher, novo ser, recomeçando, ainda tropeçando, porém muito mais consciente e determinada a não mais falhar na mesma seara.

Essa história não está no livro ‘Mulheres fascinantes – A presença feminina da vida de Jesus’, mas bem poderia constar lá.

O livro de Léon Tolstoi psicografado por Cirinéia Iolanda Maffei expõe a trajetória de muitas figuras femininas que O encontram na Galiléia naqueles tempos.

É lindo! Desnuda uma realidade muito antiga, a viciação social em julgar e, especialmente, condenar as mulheres, extinguindo-lhes o direito ao recomeço a menor falha cometida.

Em um dos depoimentos desvelados por três irmãs (Isabel, Lia e Miriam) que estiveram diante de Jesus àquela época, a verdade sobre o tratamento Dele para conosco:

“Doce e sábio Jesus! Elevou a mulher acima dos hábitos e conceitos da época, resgatando-a do servilismo, reconhecendo-lhe o direito à instrução e ao respeito, concedendo a ela o lugar devido e justo na divulgação da Boa Nova, apesar dos preconceitos de então”.

É um registro necessário de muitas anônimas que ganharam protagonismo, pois Jesus ama igualmente a todos.

Recomecemos sempre diante da certeza de que nenhuma de nós anda sozinha e que somos dignas da presença Dele em nossas vidas.

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